Israel fornece dados médicos à Pfizer em troca de vacinas. Acordo levanta preocupações éticas

Israel fornece dados médicos à Pfizer em troca de vacinas. Acordo levanta preocupações éticas

Israel é um dos países do mundo que mais tem avançado na ‘corrida’ para vacinar a sua população contra a covid-19. Cerca de 28% dos quase 9 milhões de habitantes já receberam, pelo menos, uma dose da vacina.

Agora, para aumentar ainda mais a capacidade do país, o governo israelita fez um acordo com a farmacêutica Pfizer, prometendo partilhar dados médicos em troca de vacinas.

Segundo a Associated Press (AP), os defensores do acordo dizem que vai permitir a Israel tornar-se o primeiro país a vacinar a maior parte da população, ao mesmo tempo que fornece dados relevantes sobre a pandemia para todo o mundo.
 
No entanto, os críticos dizem que o acordo levanta grandes preocupações éticas, incluindo possíveis violações da privacidade, além de acentuar a disparidade entre os países ricos e os com menores rendimentos no acesso às vacinas contra a covid-19. Por exemplo, as populações mais pobres, incluindo os palestinianos na Cisjordânia e Gaza, ocupados por Israel, têm de esperar mais tempo para serem inoculados.
 
O plano de vacinação em Israel é a prioridade da campanha de reeleição do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que disse, no início deste mês, que tinha chegado a um acordo com o diretor executivo da Pfizer para acelerar a entrega de vacinas no país.
 
“Israel será um Estado modelo global”, disse. “Israel vai partilhar com a Pfizer e com o mundo inteiro os dados estatísticos que vão ajudar a desenvolver estratégias para derrotar o novo coronavírus”, revelou, citado pela AP.
 
O ministro da Saúde israelita, Yuli Edelstein, informou que o governo vai fornecer dados médicos para “ver como influência, antes de mais, o nível da doença em Israel” e “se existem quaisquer efeitos na vacinação”.
 
Mas o acordo entre Israel e a Pfizer ainda não é claro, mesmo depois de uma versão revista ter sido divulgada pelo Ministério da Saúde israelita no domingo. Nem Israel nem a Pfizer informaram quanto é o que país pagou pelas vacinas, embora o ministro da saúde israelita lhe tenha chamado um “clássico win-win” para ambos os lados.
 
O documento diz que Israel está a contar com a Pfizer para entregar doses suficientes da vacina a um ritmo rápido para permitir ao país alcançar a imunidade de grupo. Segundo os meios de comunicação israelitas, a Pfizer deverá fornecer entre 400 mil a 700 mil doses por semana ao país.
 
Israel começou a 19 de dezembro a campanha de vacinação, que se tornou a mais rápida do mundo em termos per capita. Num mês, foram administradas mais de dois milhões de doses. Segundo dados da Bloomberg, o país já aplicou a vacina a mais de 2,5 milhões de pessoas.

O Ministério da Saúde registou mais de 560 mil casos desde o início da pandemia e mais de 4 mil mortes. As autoridades israelitas afirmam que pretendem que a maior parte do país seja vacinada até ao final de março.
 
No início deste mês, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, apelou às farmacêuticas e aos países mais ricos para “deixarem de fazer acordos bilaterais”, dizendo que prejudicam um esforço apoiado pela agência para alargar o acesso às vacinas.
 

in executivedigest.sapo.pt

 

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