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Covid-19: Economia do norte do distrito mais castigada pelos efeitos da pandemia

O norte do distrito está a ser mais castigado pela pandemia em termos económicos. 

O economista e ex-professor de economia do Instituto Politécnico de Viseu, Alfredo Simões, diz que há setores no Douro que foram “terrivelmente castigados” com os efeitos da pandemia, ao contrário do que aconteceu na região sul do distrito, “que não sofre tanto como o norte do distrito e a média do país”.

 “Na região Viseu Dão Lafões, para além dos setores do Alojamento e Restauração, as atividades artísticas e culturais, tal como as desportivas, também tiveram uma baixa significativa, com uma quebra de volume de vendas, aproximadamente, de 2/3”, refere.

 Mas os efeitos negativos da pandemia não são homogéneos.

“As atividades que vivem da mobilidade das pessoas, como é o caso da restauração, e que têm muito peso nas nossas regiões, vão continuar a sofrer e neste momento estão já numa situação muito complicada. O comércio, por exemplo, em termos de pessoal empregado, no Douro, tem uma representatividade de 20 por cento”, sublinha o especialista.

A zona norte do distrito está muito mais dependente da atividade turística em relação a Viseu Dão Lafões. “Todas as atividades relacionadas com a mobilidade das pessoas acabam por cair mais acentuadamente”, explica. 

“No Douro foi o que aconteceu. O comércio caiu 10 por cento, enquanto que aqui caiu para metade (cinco). Mas há setores que resistiram mais. Como é o caso da Agricultura, da Construção e de atividades em Mobiliários, que inclusive tiveram crescimentos”, salienta. 

Especialista alerta para futura crise social 

Depois da crise económica, estará aí à porta uma crise social? O economista Alfredo Simões acredita que sim, sobretudo se os apoios do Estado forem retirados de forma “repentina”.

“Quando acabarem os lay-offs e as moratórias, que são apoios que resultam da intervenção do Estado, pode surgir uma crise social extremamente profunda. Vamos esperar que isso não aconteça e que os apoios do Estado não sejam retirados de forma repentina, mas à medida que a economia for recuperando”, revela Alfredo Simões.

Recuperação essa que, na opinião do economista, será lenta porque “ainda não existem meios adequados para controlar o vírus que não seja através do confinamento e das restrições à mobilidade, o que traz dificuldades à recuperação da economia”.

Para Alfredo Simões, a sobrevivência de empresas e da economia depende “do tempo que demorar a controlar a pandemia”. 

Mas há uma certeza: muitas empresas vão, inevitavelmente, encerrar. “Há muitas empresas que já são, naturalmente, frágeis, de natureza organizacional e financeira, mesmo em situação económica ‘normal’. Neste momento, de grandes dificuldades, essas empresas tenderão dificuldades em permanecer no mercado”, lamenta.


Quando houver retoma da economia, também vão renascer pequenas empresas “de antigos ou de outros proprietários, pequenos empresários que agora não conseguiram suportar este problema e que vão renascer posteriormente”, acredita. 

Desafio para os próximos tempos é “resistir”

Nos próximos tempos, Alfredo Simões diz que “não há muito a fazer que não seja resistir”. O desafio é o de “procurar alternativas à quebra de negócio”.

 “Era preciso que houvesse quem comprasse, que houvesse consumo e isso não será fácil porque as pessoas, em épocas de dificuldade, acabam por se retrair nos consumos com medo do que lhes reservará o futuro”, diz.

 A palavra de ordem é “procurar”. Procurar diversificar, procurar outros mercados e outras atividades. “Muitas empresas deixaram de vender A para vender B. Outras passaram a vender online”, sustenta.

 Alfredo Simões fala “numa luta de sobrevivência” a que vamos assistir nos próximos tempos, “enquanto a situação não estiver controlada”.

 in jornaldocentro.pt

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